02/01/2014
Um espumante português que faz parte da carta do Grande Casino Lisboa, em Macau, é produzido em Rio Maior, numa pequena adega familiar à qual aquela unidade asiática compra toda a produção ainda antes de colhidas as uvas.
Denominado “Ninfa”, em homenagem à “Ninfa Fontenária de Rio Maior” – cuja estátua foi encontrada durante as escavações arqueológicas de uma antiga vila romana -, o espumante é produzido no Alto da Serra e disputa preferências com vinhos italianos e franceses na carta do Grande Casino Lisboa, em Macau.
João Barbosa, proprietário da Adega Porta da Teira, explica à Lusa que este espumante se distingue pela sua cor branco-salmonado e “é um espumante bastante diferente do que é habitual em Portugal” porque é feito só de Pinot Noir [uma casta francesa] de uvas tintas que são produzidas nas encostas da Serra dos Candeeiros. Além da casta ser diferente, o «terroir» onde é produzido também é peculiar: calcário da serra e numa zona de proximidade com salinas de Rio Maior que, segundo os produtores, acentua a cor e o sabor do espumante de “bolha muito fina e que transmite várias sensações sem agredir o palato”. Para o produtor este “Ninfa” é “um espumante muito francês”.
A sua produção é feita numa adega onde as vindimas ainda são feitas com recurso a familiares e amigos, que se juntam para colherem as uvas que nascem nos seis hectares de vinha. Desta adega saem produções anuais de cerca de 60 mil garrafas de vinhos tintos e brancos (alguns dos quais premiados internacionalmente) que, também sob a marca “Ninfa”, são exportados para países como o Brasil, Angola, Canadá, Suíça, Alemanha e Holanda.
Quanto ao espumante, a produção cinge-se a 1,2 hectares de vinha, cuja colheita está antecipadamente vendida para Macau.
“Temos conseguido ir gerindo a nossa produção, não temos produzido mais do que 2.500 a 3.000 garrafas por ano, mas temos tido a sorte e a possibilidade de alguns clientes nos fazerem as reservas dos vinhos que gostariam de ter em maior quantidade, mas que nós não temos”, sublinha João Barbosa.
A procura leva o produtor e equacionar aumentar a produção, mas sem perder de vista o objetivo da empresa. “Neste momento temos seis hectares de vinha em produção e, se tudo correr bem, havemos de chegar aos dez hectares, mas mais do que isso não, porque a nossa intenção não é produzir muito, é produzir muito bem”, remata.
A Adega Quinta da Teira pertence à Sociedade Agrícola João Teodósio Matos Barbosa & Filhos, Lda., empresa familiar fundada em 1997 pelo descendente do fundador das caves D. Teodósio.