Restaurante Dallas

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Noite de Fados todos os Sábados das 20H às 24H.

26/03/2026
19/05/2025
19/05/2025
20/04/2025

— Livre-se dele imediatamente! — disse ela, referindo-se ao meu gato, com quem eu vivia há dez anos.

Há pouco tempo, minha namorada Lucía e eu decidimos morar juntos. Estávamos nos conhecendo há quase oito meses e tudo ia muito bem, então propus que ela se mudasse para a minha casa. Teríamos um pequeno ninho para três: Lucía, eu e meu fiel companheiro, o gato Pancho.

Pancho estava comigo há uma década. Levei-o da casa dos meus pais quando me mudei para outra cidade. Ele se tornou parte da minha vida. Juntos passamos por solidões, conquistas e até amores fracassados. Ele sempre me esperava na porta, dormia ao meu lado e ronronava nos dias difíceis. Para mim, ele não era apenas um gato: era família.

No começo, Lucía não demonstrava rejeição. Pelo contrário, até fazia carinho em Pancho e dizia que ele era “fofo”. Achei que tínhamos tido muita sorte, que os três viveríamos em harmonia. Mas a felicidade durou pouco.

Duas semanas depois, Lucía começou a ter sintomas estranhos: coriza constante, olhos vermelhos, tosse e dor de cabeça. Sugeri que fosse ao médico. O diagnóstico caiu como um raio em pleno dia: alergia a pelos de gato.

— Como assim? — perguntei, atordoado —. Antes ela brincava com gatos, até com o próprio Pancho...

— Senhor, as alergias são traiçoeiras — respondeu o médico com seriedade —. O efeito pode se acumular. Enquanto só se viam de vez em quando, sua namorada não tinha contato contínuo com o alérgeno. Mas agora convivem. A reação se agrava e pode ser perigosa.

Fiquei arrasado. Dividido entre a lógica e uma dor no peito. Eu amava Lucía, mas o que faria com Pancho, o ser que esteve ao meu lado quando ninguém mais esteve?

Ao voltar para casa, já pensava em deixá-lo temporariamente com meus pais. Estava disposto a sacrif**ar uma parte de mim mesmo pela saúde de Lucía. Mas assim que entrei pela porta, ela, sem nem tirar o casaco, disparou:

— Então, quando vai se livrar dele?

— O que quer dizer com “se livrar”? — repliquei, confuso —. Acabamos de chegar, pelo menos vamos conversar...

— Não há nada para conversar — disse ela friamente —. A cada dia estou pior. Quer que eu fique sem ar?

Fiquei paralisado. Pelo tom dela, pelas palavras. Até aquele momento, eu estava disposto a ceder. Mas essa palavra, “livrar-se”, me cortou como uma faca. Ela não via no meu amigo um ser vivo que eu amava profundamente. Para ela, era lixo, um estorvo.

— Se alguém tem que sair, é você — disse em voz baixa —. Pancho f**a. E ponto final.

Lucía ficou em silêncio por alguns segundos e, sem dizer mais nada, começou a arrumar suas coisas. Em poucas horas, não havia mais sinal dela.

No começo, senti um vazio. Mas logo veio um alívio estranho. Entendi que quem exige apagar uma parte da sua vida, não te ama de verdade. Sim, poderíamos ter buscado um meio-termo, convencê-la a f**ar. Mas para quê? Para viver pisando em ovos, com medo da próxima “alergia”?

Não me arrependo. Às vezes, os animais são mais leais que as pessoas. Naquela noite, enquanto preparava um chá forte e olhava pela janela, Pancho estava ao meu lado, ronronando como se dissesse: “Estou aqui. Vai f**ar tudo bem.”

E ele tinha razão. A vida não acaba com o fim de um amor. Mas se alguém te pede para apagar da sua vida quem esteve contigo nos piores momentos, isso não é amor. É egoísmo.

Agora voltei a viver só com Pancho. Talvez um dia apareça alguém que entenda que minha família não sou só eu. É também o meu velho, sábio e peludo amigo.

11/04/2025

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