Uma vivência urbana, num espaço ainda preservado pelo tempo, pela história e pelas gentes daí, mesclado pelas gentes de agora, em busca de alguma autenticidade, de alguma fuga ao desenvolvimento urbano moderno e desenfreado, de uma ligação genuína ao Porto e às suas gentes. A linha histórica e ainda visível de uma cidade nas margens do rio Douro, muitas vezes tortuoso, outras tantas generoso, dema
rca o espaço, as gentes e os costumes, preservando-os com a persistência do tempo e da idade de quem vem há muito e de longe recortando, regando e ceifando! Visível no largo do Ouro os restos da pesca, fonte de vida de outros tempos, mais cantada pelo fado de hoje do que pela faina de ontem, convive pacificamente ligada à nostalgia e à antiga indústria fabril e dos seus bairros operário, com os novos exploradores urbanos em busca de uma genuinidade cultural típica do Porto. Assentam aí parte dos principais criadores arquitetónicos do Porto e do mundo, como Siza Vieira, Souto Moura e Paulo Providência. Os seus espaços, bem como outros que aí intervieram e pincelaram a zona dando novas formas ao espaço, uniram de uma forma visível e construtiva aquilo que já está por si intimamente ligado pela vontade de habitar um porto, no Porto. Desde os fados e os petiscos na Piedade, à travessia rotineira do rio em direção à Afurada, os grelhados de peixe fresco e não amassado pelas redes, passando pelo restaurante Carteiro, sempre com a sua traça e raça própria de porto de abrigo gastronómico e não só, até à esplanada do Amadeu e da sua larga prole, bem como muitos outros espaços de uso, onde se encontra aconchego para as partes do dia, para o clima da altura e para a fleuma do momento. As mãos estendem-se, as vozes cruzam-se, as gentes partilham, vivem e convivem em harmonia com tudo o resto, andando no espaço e no tempo.