29/11/2011
LENDA DO MONTE DA NÓ
Nos tempos em que os mouros dominavam a região de Viana do Castelo, sob o comando de Abakir, surge a lenda do Castelo do Monte da Nó. Em um monte elevado sobre o vale do Lima, com povoados a toda volta, estava o castelo de Abakir.
Abakir, conhecido por Feroz, por seu valor nas batalhas, tinha fama de conquistador – de terras e de mulheres. O seu castelo mesmo no mais alto da serra, dizem que era dos mais ricos do mundo, forrado de tapetes persas e sedas multicoloridas, bancos forrados de damascos e sofás de ouro. Rico e poderoso, Abakir mandou buscar nos lugares mais elegantes belas e finas mulheres, com as quais partilhava seus momentos de descanso entre uma e outra batalha. Tratava a todas respeitosamente e era retribuido com o carinho que lhe dispensavam. Mas havia uma entre elas que não demonstrava alegria como as demais. Zuleima, que dizem, fora um dia uma pastora, acabava por ferir o orgulho de Abakir. Ele estava acostumado a ser recebido pelas demais com euforia, mas ela não. Parecia distante, como se não lhe desse importância. Começou Abakir a sondá-la, primeiro observando-a discretamente, depois conversando na tentativa de descobrir o que se passava para que agisse diferente das outras.
Com o tempo e a convivência mais intensa, descobriu que o que causava aquele aparente afastamento de Zuleima era justamente o grande amor que sentia por ele. Assim, aos poucos, descobriu mais coisas. Zuleima era mais inteligente e digna que todas as demais que ali estavam, concluiu Abakir. Seu amor por Zuleima tornou-se tão intenso que dispensou as demais. Entregou-se a tal enlevo que acabou por esquecer-se dos prazeres da caça, do convívio com seus guerreiros e de cuidar das defesas de seus domínios. Aos poucos, conforme se entregava ao extremo envolvimento com Zuleima, todos os demais foram se afastando, os amigos, os conselheiros, os guerreiros. Partiram todos em busca de um senhor para servir, já que Abakir deixara de ser um senhor e tornara-se escravo de um amor. Abakir e Zuleima estavam tão envoltos pelo amor que sentiam que nem perceberam que acabaram sós.
Um dia os cristãos aproximaram-se dos domínios de Abakir, talvez por saberem do abandono que sofrera este senhor por parte de seus guerreiros. Cercaram o castelo e, só então, Abakir e Zuleima perceberam o quanto estavam sós. Percebendo o erro que cometera, Abakir conduziu Zuleima até a mais bela e rica sala. Junto à amada pronunciou palavras desconhecidas que fizeram com que o castelo desaparecesse terra adentro. Quando os cristãos se aproximaram mais não viram qualquer sinal do castelo que nunca mais foi visto.
Dizem que há uma entrada secreta por uma das grutas que leva ao castelo encantado, onde Abakir e Zuleima gozam ainda do enleio do amor ardente em meio a riquezas, mesmo séculos depois. Somente quando alguém descobrir a entrada o encanto será desfeito, e a pessoa que quebrar este encanto irá apossar-se de todos os tesouros do castelo encantado.
Dizem também que, em noites de luar, vagueando pelo monte, pode-se ver Abakir e Zuleima tentando impedir aos mais ousados de descobrirem a entrada do misterioso castelo.