20/04/2023
https://m.facebook.com/story.php?story_fbid=597952765689184&id=100064233961403
Sabem o que vos digo...
Não tenho muito para falar, contar... Dizer.
Há momentos oportunos... E tudo tem de fazer sentido...
Isto de parar para restaurar energias, era coisa para os antigos... Já não me alimento... Agora, não por raras vezes, recordo... É o que gosto de fazer quando me sento para comer,... Procuro escolher uma mesa que me traga memórias, me recorde alguma coisa... Sabem... Isto de já estar a meio do percurso da vida... Permite, ser mais pragmático. Mais astuto...
Comer uma "poveira" do café Guarda Sol, na Póvoa de Varzim, é sentir que, não só tenho os pés na areia, mas o corpo todo... Ali ao lado, no sector do Banhista Augusto Canetas...
Nos primeiros 15 dias de Agosto, eram passados entre o 114 na António Graça e a areia da praia... E havia muitos motivos para marcar esse tempo... Fazer um dia de praia ao lado do Guarda Sol, era ter a partir do meio-dia, cheiro da chapa, e do molho de francesinha a caramelizar, como sendo parte da nossa vida... Para mim era como ter um irmão... Era saber que saído da água salgada do mar poveiro, me sentava na barraca enquanto bebia um "capri sun", a minha mãe chegava com o embrulho da "poveira" ainda quente do sitio ali ao lado... O sitio daquele cheiro tão familiar. Tão nosso...
E era ali na areia que este manjar, este snack genial, ultraplanetario se elevava na minha vida pelo menos durante o lanche de dez dias, em quinze possíveis. Como o corpo, do nosso sangue... Como se fosse nosso desde que nascemos.
É obrigatório para mim, desviar na A28, e pausar na avenida dos banhos, lembrar esse legado mágico das férias de Verão, da infância e da adolescência. Do momento em que o mundo parava, para nos relacionar com um pão de cachorro artesanal, linguiça grelhada, extra queijo Âncora, e um tostado de molho inebriante. Pincelado como numa fábrica de montagem em linha...
A revolução industrial também se fez na Póvoa de Varzim... E agradeço o facto de não habitar longe... Porque deve ser pelo vento noroeste, sinto Em Famalicão, muitas vezes, a sensação que esse cheiro do molho a chamar-me à Póvoa, como se de um irmão se tratasse...
Isto também é comida... Também é património
Que saudades...