25/03/2020
25 DE MARÇO-ANOS 60 DO SÉCULO XX
O meu vizinho, amigo e companheiro de infância, João Oliveira (como eu e todos da rua lhe chamávamos, o "João da Odília") veio desafiar-me para irmos à Feira de Março. Lembram-se os que, desse tempo, ainda por cá nos vamos aguentando? Pois, a Feira de Março começava no dia de hoje (penso que eu tinha dois anos quando ocorreu a primeira realização). Em Aveiro, no denominado Rossio, junto ao braço da Ria onde agora atracam os Moliceiros para levar os turistas a visitar a Veneza portuguesa.
Eu trabalhava na Regência, ali ao pé do Forcado, onde havia uma cabine electrica, , o Café Aliança, a loja do Sr. João Barreto, onde os homens ao Domingo jogavam a malha, ou finto... e só estava livre ao Domingo.
Mas eu tinha outro problema, é que só o meu Pau tinha bicicleta! O João tinha uma, penso que do falecido Pai ( O Pai do João tinha falecido prematuramente, muito novo, deixando a viúva e o filho pequenino com enormes me compreensivas dificuldades, só superadas pela coragem e estoicismo daquela "guerreira" que toda a vida admirei). O João tinha, eu não. Mas, perante o entusiasmo e teimosia dele em irmos à Feira de Março, ainda espicaçado pelo facto de nunca, até aí, ter saído de Mira, depois dos 5 anos, consegui dar a volta à situação. Na Regência, éramos três civis, um Mestre Florestal e dois Guardas Florestais:- O Mestre Mendes, os Guardas Manuel Ribeiro Dias e Levi Quitério e os civis, ainda todos vivos, o Mário Maduro (Mário Carola), filho do Sr. Albino Maduro, ligado ao transporte público existente em Mira, o Mário Marques (Mário Florentino, porque era filho do Guarda-Fios Florentino F. Marques).
E o Mário Maduro, sobrinho do Mestre José Mendes de Oliveira, tinha uma bicicleta roda 28 (mais alta que as normais), que herdara, penso eu, de seu falecido Pai, homem bem apessoado, alto e forte. E, quando falei no projecto da viagem, logo se prontificou a emprestar-me aquele "calhamasso".
Maravilha! No Domingo seguinte, aí vão os dois "fadistas" à aventura! O trajecto estudado pelo mais velho, o João, que tinha sido o mentor do passeio, foi chegarmos a Aveiro sem usarmos a 109, muito perigosa para dois iniciados nessas andanças. E assim foi: Lagoa de Mira, Estrada Florestal nº. 1 até ao Areão, Estrada Florestal já no concelho de Vagos até à Gafanha da Nazaré - e sempre pelas estradas mais secundárias. Mas lá chegámos!
As brumas da memória já não permitem entrar em pormenores da visita à Feira. Certamente que tudo o que vimos nos espantou, porque era novidade. Provavelmente comemos farturas e andámos de carrocel. Já não me lembro.
Mas sei que foi um feito que, por tão inusitado, dada a idade e o contexto das nossas vidas, na altura, que marcou a minha (e penso que a do João) para sempre!
A Feira de Março mudou de nome e de local. Mantém, penso eu, o seu cariz tradicional.
Mas o coronavírus - covid-19 também a tirou do roteiro das nossas possibilidades de passeio. Como optimista nato que sou, esperançado que só por este ano, claro.