12/04/2020
Não pretende ser um texto de reflexão sobre os momentos que atravessamos, mas tão só, o poder prestar o meu agradecimento a todos aqueles que têm colaborado comigo no Restaurante Royal Fado, que era, e será, um local de festejo destas sensações cristãs, mas sobretudo do dia a dia ao som do fado.
O ano passado, tive a tristeza, profunda, de passar a Páscoa, pela primeira vez, sem a minha mãe. Foi agonizante. Foi o total vazio. Pois era a festa que mais gostava e comportava se como uma autêntica criança à espera das amêndoas. De todo o género.
Este ano, ainda está a ser mais difícil, pois a minha mãe continua a não estar, não vou poder estar com o meu irmão que jantava sempre connosco no Restaurante e não tenho os amigos do restaurante.
Sinto saudades do restaurante, mesmo de todos os incómodos que me dá. Sinto saudades. Talvez seja o fado incrementado na essência, não minha, mas do próprio restaurante.
Tenho saudades do Carlos Garcia que encaro, nunca como empregado, mas como meu amigo, a quem, tantas vezes peço conselhos. Por vezes, pode trazer dificuldades no desenrolar do nosso relacionamento.
Tenho saudades do Rui do Cabo que está sempre disponível para mim. Seja na guitarra portuguesa ou a cantar a solo nos momentos mais difíceis. Tenho saudades quando começa a falar como poeta que é.
Tenho saudades da nossa diva Marta Soares, que dá a voz ao fado no restaurante e que colabora comigo há 7 anos e com quem já tive tanta cumplicidade. A Marta esteve presente sempre que lhe pedi. Cantou no dia do funeral do seu pai, pois tinha a casa cheia, ajudou me quando a minha mãe partiu.
Tenho saudades de tudo, pois nesse tudo, estávamos vivos e em liberdade.
Tenho saudades das nossas noites, brincadeiras, poucas neste último ano, mas mesmo assim aconteceram.
Tenho saudades do Carlo Soeiro, cujas cordas da guitarra de fado quase faziam partir os lustres da sala, mas que tantas dores de cabeça me deu. Ele, o Carlo.
Tenho saudades da tranquilidade do Alexandre Silva que sabia ignorar tudo o que seria de ignorar e que, com poucas palavras, apenas um sorriso, me apoiava.
A toda esta equipa desejo uma Santa Páscoa!
Não quero deixar de agradecer e desejar Boa Páscoa às pessoas que num passado recente comigo colaboraram:
Na guitarra portuguesa: Jorge Silva e Jorge Mata.
Na viola de fado:Sr. Luciano Matos, Joaquim Ferreira, Ricardo Anastácio, António Marques e Bruno Brás.
Estes são apenas alguns, mas, muitos outros estiveram no meu lado.
A família Royal Fado não está unida, mas, em breve, sim, em breve, estaremos todos juntos.
Finalmente quero agradecer o grande apoio, neste último ano, ainda que na maior parte das vezes silencioso, da D. Paulina Silva. Ela sabe. Eu sei.
Santa Páscoa.