Sob um Sol sempre quente e acolhedor, o mar e a terra são as nossas fronteiras, abrigos de velhos lobos-do-mar e pastores de longas distâncias. Por isso, neste Tejo se fundem as marés e as planícies que, em simultâneo, chegam em suaves vagas que beijam o Terreiro do Paço e a nós próprios, muito antes de todos os outros. Porque a vida no Terreiro do Paço tem luz mais intensa, calor mais vibrante e
cores mais vivas, convidamos a sentir o mais intenso dos sabores e o mais próximo dos abraços. Neste Populi, onde as vidas se carregam de poesia e emoção sem fim à vista, espreguiçamos Lisboa pelos pratos e pelos copos e esbanjamos saudade e espasmos de vontade pelas arcadas e pelas abóbadas que nos suportam. Abrimos caminho, olhamos o rio, inspiramos o perfume do mar e despertamos para a torrente de sentidos mesclados entre gente que vem e que vai, gente que passa e que chega das sete partidas do mundo. Aqui, onde cada copo vale um beijo, o custo justo cruza-se com as iguarias descobertas na languidez do arrepio e na voragem do ar quente que devolve a cada um, e a todos sem excepção, as delícias do vinho que envolve o coração, da cerveja que desnuda a alma, do champanhe que gela a garganta e do gin que rasga a vida. No Sul deste Terreiro do Paço, com um pedaço de Populi para todos, temos ostras irreais do Atlântico real, bifes tenros como seda, bacalhau amigo de verdade, os mais requintados petiscos portugueses. Desde há séculos a rasgar os mares, a descobrir novas terras e a conhecer outros povos, em todas as latitudes e em todos os hemisférios, mergulhámos nas ondas dos oceanos. Levados no coração de uma lenda real, partimos ao encontro de gentes na busca da partilha das culturas e na demanda das emoções. Chegámos ao Japão e à China, à Austrália e a Timor, à Índia e a Moçambique, a Angola, a Cabo Verde e a São Tomé. Chegámos ao Brasil e à América do Norte. E chegámos aos mares profundos do bacalhau, esse peixe extraordinário que se tornou companheiro de faina, amigo de viagem, sustento de um povo. Esse peixe que nos encanta e que se tornou num farol de tradição e progresso, numa referência de passado, presente e futuro. Aqui, no Terra Nova, casamos o autêntico e o natural, a cultura e o concreto, na base da emoção e do sacrifício de homens que fizeram da pesa do bacalhau a sua aventura e de cada aventura uma surpresa.