02/06/2026
Aqui fala a Ramia. O Tayybeh é o meu refúgio, mas nesta quarta-feira, o nosso lugar não é ao fogão… é na rua, ao vosso lado. 🍲✊🏽
Quando cheguei a Portugal vinda da Síria, aprendi o que significa ter de lutar para recomeçar do zero e procurar uma vida com dignidade. Lisboa abriu-me os braços e deu-me uma nova casa quando eu mais precisava.
Mas hoje, ao olhar para a nossa cidade, vejo quem trabalha de sol a sol a lutar apenas para sobreviver. Com o custo de vida a sufocar, com a angústia de pagar a renda ao fim do mês e a dificuldade de pôr comida na mesa, não consigo, nem posso, ficar indiferente. A realidade desta greve não é apenas uma notícia na televisão; é a dor dos nossos vizinhos, dos nossos fornecedores e dos amigos lisboetas que nos ajudaram a construir o Tayybeh.
Por isso, nesta quarta-feira, decidimos que o Tayybeh vai fechar as portas. Vamos silenciar os nossos tachos e panelas, porque hoje a voz de quem trabalha tem de soar mais alto. Paramos em solidariedade com a greve. Porque lutar por um salário justo e pelo direito de viver "e não apenas existir " nesta cidade linda, é uma causa de todos nós. 🇵🇹
Aos clientes e amigos que tinham reserva para esta quarta-feira, peço imensa desculpa pelo transtorno. Sei que planeavam partilhar momentos à nossa mesa. Mas no Tayybeh, a família cuida da família. Como forma de agradecimento pela vossa compreensão e apoio: faço questão de vos convidar para um almoço por nossa conta na vossa próxima visita.
Fechamos por um dia para defender o futuro de todos os dias. Voltamos na quinta-feira, com a alma de sempre e o coração cheio de esperança.
Com amor e solidariedade,
Ramia Abdalghani
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