01/04/2026
Meus queridos amigos, chegou o momento que tanto evitei. É com um nó na garganta e o coração apertado que é hora de dizer adeus ao Manakish - Tayybeh Express.
Foi uma viagem de dois anos que adorei de paixão, mas de uma dureza que nem vos consigo explicar. Infelizmente, a nossa alegria durou pouco. Só conseguimos ter as portas abertas com normalidade durante 7 meses. De repente, o prédio entrou em obras e espetaram-nos com uns andaimes gigantescos que nos taparam a fachada inteira e nos roubaram a luz.
Como se não bastasse ter a casa escondida, o impensável aconteceu: fomos assaltados. Não uma, não duas, mas três vezes. A sensação de violação e impotência é horrível, e até hoje a polícia não apanhou absolutamente ninguém. A justiça parece que nos virou as costas.
Juntem a isto os custos de vida asfixiantes em Lisboa e o golpe final de todo o prejuízo que aquela tempestade terrível nos deixou. Fiquei num autêntico beco sem saída. Tive de tomar a decisão mais difícil de todas e fechar portas para estancar esta hemorragia. Tive de parar de ver o nosso suor, os nossos anos de sacrifício e as nossas poupanças a escorrerem por entre os dedos.
Estou exausta. Não tenho mais forças. Falhei... sim, eu admito que falhei. E custa tanto, mas tanto, escrever estas palavras.
Mas no meio de toda esta loucura, das minhas lágrimas e de um mundo que parece estar sempre a ruir com tanta tristeza lá fora, eu não vou baixar os braços. Continuo aqui. Continuo de pé no Tayybeh, a tentar sobreviver, a lutar com unhas e dentes pela nossa família e pelas nossas raízes sírias.
Obrigada a cada um de vocês que nos deu a mão no Manakish. Espero do fundo do coração que me venham dar um abraço ao Tayybeh. Preciso muito dele.