30/07/2023
Eu e o meu irmão éramos fãs absolutos da Sinead quase desde o primeiro dia e foi dos primeiros concertos que vimos no Coliseu de Lisboa em 1995. Sabíamos as letras de cor e a voz dela era um mistério de doçura e raiva, a conviver no mesmo espaço e tempo. Admirava-a, pelo seu óbvio e absurdo talento, mas também pela coragem das suas posições, por defender as causas que lhe eram próximas mesmo quando eram incómodas para tantos. Percebia pelas inúmeras entrevistas que li dela que era uma pessoa complexa, com uma história dura e com inúmeros problemas de saúde mental. A notícia da sua morte tão prematura não deixa de me chocar, como se, sem nunca a ter conhecido, fizesse parte da minha vida como uma tradutora de muitas coisas que não sabia expressar numa certa altura da minha existência.
A meio do espectáculo do Coliseu, entre duas canções, aproveitei o silêncio da sala enquanto os músicos ajustavam os seus instrumentos e gritei “Sinead, I love you!”, fazendo-me ouvir por toda a sala. Ela sorriu e eu fiquei imensamente feliz, uma memória que persiste até hoje num lugar bonito desse tempo. Godspeed, Sinead ❤️