19/08/2026
Na nossa loja há um pão chamado **Melonpan**.
Sempre que aparece um cliente novo, a pergunta é:
— «Tem recheio de melão?»
Não. 😄
Na verdade, este pão não tem nada a ver com melão.
O Melonpan é um pão que me acompanha desde criança.
Estudar na Ásia signif**a viver com bastante pressão. O valor de um aluno parece estar diretamente ligado às notas.
E eu, por azar — ou falta de talento académico —, era um daqueles alunos cujas notas não eram propriamente bonitas.
Por isso, quando penso nos meus tempos de escola, lembro-me sobretudo das aulas, dos te**es e das classif**ações.
Os dias tinham um tom meio cinzento e a pressão estava sempre presente.
Mas, depois das aulas, havia uma coisa especial.
No caminho para casa, passava sempre por uma padaria. E aquele cheiro de pão acabado de sair do forno chegava à rua sempre naquele momento.
Comprava um Melonpan e dava a primeira dentada: crocante por fora, macio por dentro.
Naquele instante, aquela pequena felicidade sentida na ponta da língua conseguia fazer-me esquecer, nem que fosse por uns minutos, todas aquelas notas que durante o dia pareciam não me deixar respirar.
O curioso é que, depois de tantos anos a comer Melonpan, nunca me tinha ocorrido perguntar:
**Porque é que se chama Melonpan?**
Só recentemente, por curiosidade, fui pesquisar e descobri que a resposta é tão simples quanto engraçada.
O nome **Melonpan** teve origem no Japão. Por dentro, é um pão macio; por fora, é coberto por uma camada doce e crocante, semelhante a uma bolacha. Na superfície, é habitual fazer-se um padrão em forma de quadrícula.
O formato redondo, juntamente com essas linhas, fazia lembrar aos japoneses a aparência de um *melon*. E foi assim que nasceu o nome **Melonpan**.
Portanto, não.
Continua a não haver melão. 😄
Há apenas farinha, manteiga, açúcar… e a pequena expectativa de uma criança ao sair da escola.
Da próxima vez que vier à nossa loja e pedir um Melonpan, espero que não saboreie apenas aquele contraste delicioso entre o crocante por fora e o macio por dentro.
Estará também a provar um bocadinho das minhas memórias de há trinta anos — memórias bonitas, que ainda hoje cheiram a pão acabado de sair do forno.