05/09/2026
A magnífica sopa de cabeça de salmão foi a Bobita que fez.
A Bobita é casada com o Yubaraj com quem trabalho há anos no restaurante O Limbo.
Os meus bisavós viveram em Goa e em Moçambique, o meu bisavô por lá foi militar quando os Portugueses eram colonizadores desses territórios. Lembro-me das histórias fantásticas de uma vida colonial maravilhosa e cheia de luxos. A minha bisavó aprendeu com as “criadas” a cozinhar muitíssimo bem, por isso fui um privilegiado sob o ponto de vista gastronómico.
Hoje tenho o prazer de trabalhar com um grande homem, muito boa pessoa e grande cozinheiro, ele veio do Nepal para trabalhar em Portugal.
Eu e o Yubaraj tínhamos acabado de pintar as grades das portas de “O Limbo”, pintámos de vermelho vivo por ser a cor mais festiva no Nepal e aquela que trás sorte. A Bobita também tinha acabado de fazer uma das melhores sopas que comi na vida. A sopa de cabeça de Salmão, de tempero oriental, com o picante da minha infância e o vermelho dos portas do restaurante.
Nunca me esqueci de uma das histórias que a minha bisavó me contava. Na província de Goa, viviam numa linda casa no campo, por lá existiam muitos bichos, entre os quais as cobras de que a minha bisavó tinha pânico. O meu bisavô combinou com o caseiro que lhe pagaria determinada quantia por cada cobra morta nas imediações da casa. Diz que o caseiro todos os dias aparecia com várias cobras mortas. Como o meu bisavô mandava o homem enterrar as cobras, as cobras que serviram para o caseiro amealhar algum, eram sempre a mesma.
Federico Garcia Lorca escreveu num dos seus primeiros esboços dramáticos “O mundo é um brinquedo sem dono”.