11/12/2020
José Luís Peixoto diz que quando põe a mesa são sempre cinco. Menos a mãe, menos o pai, menos a irmã.
Mas são sempre cinco.
Acho que cinco é o número exato: implica uma mão cheia do que agarramos e do que nos agarra à vida. Dia após dia. São as mãos cheias do que sobra das lágrimas, das gargalhadas, das dúvidas, dos riscos e da saudade. É o pulso firme da certeza que, o que nos cabe nas mãos, é o que vale mais no fim do dia, da tempestade, da vitória ou do ano. São os pequenos gestos que sobram que mais nos preenchem: a mão dada, o braço direito, o ombro amigo.
A luz da vida são os pequenos movimentos de quem somos.