01/09/2026
Um restaurante precisa de muitas coisas, na minha opinião, mas essencialmente precisa de comida boa.
E comida boa pode ter vários significados. Para mim, é quando a gente come com as mãos, não necessariamente pelo ato em si, mas porque sente vontade de tocar na comida. Quando ela fala connosco de uma forma que precisamos tocar para entender.
Tenho uma relação muito particular com a comida e, pela minha profissão, o privilégio de provar muitas coisas. Às vezes, ela é apenas bonita. Outras vezes, tecnicamente perfeita, mas parece que dá medo de tocar. A experiência que tive no Mercantel fez-me pensar que um restaurante pode ser bonito, ter o melhor chef, o melhor nome e todas as estrelas, mas, se não tiver alma e uma comida que nos desperte esse desejo de tocar, não tem graça. Torna-se apenas uma experiência teatral, ensaiada para satisfazer o ego de quem a criou, e não o paladar de quem a come. No Mercantel, comi bem. Comi comida: coisas criativas e tradicionais, mas com um twist.
Encontrei um ambiente confortável, acolhedor e com bom design, tudo aquilo que esperamos de um lugar onde queremos comer, estar e, sobretudo, ser restaurados. Afinal, restaurante vem de restaurar.
Foi assim que me senti no Mercantel: saí restaurado. Parabéns a toda a equipa, especialmente a quem está todos os dias dentro daquela cozinha a fazer tudo acontecer, e a quem nos recebeu com tanta hospitalidade, fazendo-nos sentir em casa. Obrigado pelo convite, Mercantel. Espero voltar em breve.