08/07/2026
Crónica na Radio Telefonia de Mário Simões
Zé Dias agora falta o mérito da Liberdade
Quem diria que um tipografo do Sabugal viria a ser distinguido pela Câmara Municipal de Évora com a Medalha de Mérito Municipal (Classe Prata) em reconhecimento pelo seu contributo na área da gastronomia local.
O Zé Dias, esse sabugalense de nascimento e que nunca renega as suas origens, mas alentejano e eborense por convicção, podia e devia ser distinguindo, por algo que o torna diferente de todos os que têm sido homenageados no dia da cidade.
Não percebo, porque teve de se encontrar um mérito profissional para distinguir o Zé Dias, por que razão a autarquia não lhe atribuiu simplesmente o mérito da liberdade, o mérito que Zé Dias honra e faz questão de fazer honrar todos os dias, seja no seu Restaurante “Quarta Feira”, seja quando foi tipografo, daqueles tipógrafos que sabiam muito mais que juntar letras, sabiam entender as palavras e uma delas muito cara para o Zé Dias era e será sempre a palavra Liberdade.
Condicionar o mérito do Zé Dias à gastronomia é como condicionar um livre-pensador a um partido político, mesmo que seja o partido da liberdade como é o do Zé Dias e que ele nunca negou aos outros e lembrou sempre aos seus camaradas que a liberdade é o bem essencial para o progresso.
Um dia dei por mim a fazer as contas do Café da Tapada então sob a gerência do senhor José Augusto Dias, eu fazia a as contas às hortaliças, às batatas, às favas, que ele adquiria na quinta do seu senhorio, o empresário da Igrejinha Candeias Santos e que depois eram deduzidas nas refeições do seu pai, o senhor Igrejinha como era conhecido.
Vieram depois outras cumplicidades, como era bom comer na cozinha do Quarta Feira sempre que chegava tarde nas sextas-feiras, como era bom a jantaradas com o Fernando Emílio sempre na companhia e com o conselho do Zé Dias, como foi bom ver a cara do Juiz Gomes da Silva, quando o Zé Dias, lhe disse, o senhor aqui não manda, você vai comer o que eu lhe colocar à frente e depois se não gostar não paga.
Foi assim neste jeito simples direto e com aquele sorriso maroto, que o Zé Dias foi conquistando uma clientela fiel e exigente. Foi nesta espécie de troca que o homenageado da autarquia eborense neste ano de 2026, fez escola na gastronomia eborense e alentejana. Mas, foi muito, mas muito além disso.
O Quarta Feira, é muito mais que um Restaurante é um hino à gastronomia, mas é igualmente um hino à liberdade ao saber estar em liberdade. Ali se cruzam ideias políticas, religiosas, sociais e clubistas e o Zé Dias a todos impõe o respeito das opiniões e crenças de cada um.
Digamos que o Restaurante do Zé Dias é um verdadeiro um centro permanente de união fraterna, onde reina a tolerante e frutuosa harmonia entre os homens, que sem ela seriam estranhos uns aos outros. É por esse espírito que o tipografo e empresário da Restauração Zé Dias Pugna e fez escola na vida social e empresarial eborense.
Então temos de admitir que f**a bem ao Zé Dias o mérito gastronómico, agora falta o mérito da amizade pura e também da liberdade.