15/06/2016
Chili, Meantime Naval College Old Porter e Fu Manchu
PRATO: Chili
Essa semana a coisa ficou séria, apimentada e empoeirada. Foi a vez do comidão do deserto: Chili. Já deu até um suadouro e vontade de abrir aquela cerveja gelada.
Chili é o prato-símbolo do Estado do Texas e talvez um dos mais famosos na Gastronomia norte-americana. Suas origens surgem no século XIX utilizando carne salgada, o que facilitava o transporte e impedia que o alimento se tornasse perecível nas viagens.
Nossa versão é um pouco independente, um pouco maverick. Nós analisamos várias receitas diferentes e pegamos o que mais nos agradou em cada uma delas para criar a nossa, mantendo em mente que se trata de um cozido rústico, cheio de sabor e reconfortante. Existem muitas versões de chili (com ou sem feijões, com ou sem tomates, Texas Chilli, Cincinnati Chilli, com pimentas frescas ou secas, etc). Cada uma valorizando determinado ponto da receita. Gostamos de pensar que o nosso valoriza ao máximo cada etapa, culminando para um excelente resultado final.
Basicamente, assim como em todo guisado, a chave está em utilizar apenas uma panela, fazendo uma coisa de cada vez e, dessa forma, ir construindo aos poucos as suas camadas de sabor. Nós começamos por caramelizar ao máximo a nossa carne moída, em temperatura alta e pouca quantidade por vez para não sobrecarregar a panela, esfriá-la e fazer com que a carne soltasse água. O importante aqui é fritá-la. Depois, na segunda etapa, entramos com os nossos aromáticos - apenas pimentão verde e cebola roxa na manteiga - uma etapa delicada, elegante, em fogo baixo. Uma vez macios, passamos para a etapa 3, aonde adicionamos todos os temperos (paprika doce e picante, chilli powder, pimenta caiena, pimenta do reino em pó e cominho). Demos uma leve fritada para “ativar” os temperos - senão teríamos um resultado “empoeirado” no final do chili.
Próximo passo foi voltar a carne para a panela, misturar tudo, acrescentar o feijão pré-cozido no molho de tomate, o próprio molho (tomate enlatado serve apenas para segurar papéis na sua mesa de trabalho) - e esperar. No mínimo duas horas. Mínimo.
Para finalizar nosso chili, construímos a camada final de aroma, sabor e textura. Para simular um efeito cowboy-céu-aberto-fogueira, já com o fogo desligado, colocamos molho barbecue de alta qualidade (lembrando que nada será melhor do que se você fizer o seu próprio molho barbecue). E, para o grande final, o que dará a textura de veludo, sabor reconfortante e coloração “água-na-boca”, um punhado de chocolate amargo (no mínimo 70% - nós utilizamos 82%).
Agora é só abrir as tortillas, pegar a cerveja pra você e os amigos, abaixar a agulha na primeira faixa e curtir um Fu Manchu no talo.
Viva o deserto!
CERVEJA: Meantime Naval College Old Porter
Hmmm...e pra acompanhar este desértico, empoeirado e picante chili?
Camadas de sabores deliciosos foram pensados no preparo e assim faremos a harmonização. Pra cada camada de gosto, sabor e aroma temos uma harmonização que pode ser feita e precisamos juntar tudo isso em uma cerveja só.
Assim como o preparo do Chili, devemos pensar na harmonização por partes. Temos a carne caramelizada e o molho de tomate que são carregados de umami e harmonizam por contraste com uma tosta de malte intensa, as reações de Maillard tanto da carne quanto dos grãos de malte tostados harmonizando por semelhança, contraste do apimentado do chili com o maltado da cerveja e muita gordura e cremosidade que deve ser retirada da boca com a ajuda de um alto teor alcoólico. Uma bela Porter reúne todas estas características.
E ainda, como ser mais completo pensando numa cerveja que combine com o tema American Wild West do jantar? Harmonizando o Chili com a Meantime Naval College Old Porter. Este rótulo possui este nome porque o original “Hospital Porter” foi proibido pela legislação americana porque o termo “hospital” poderia passar a ideia para o consumidor de que o álcool contém benefícios a saúde. E não?
Este rótulo é armazenado em barris de carvalho de whiskey agregando os sabores da madeira a bebida lentamente e dando um toque de defumação que complementa nosso Chili. Mais deserto que esta cerveja seria impossível.
SOM: Fu Manchu
Um som que nasce no deserto da Califórnia para acompanhar a nossa Porter e nosso Chili. A banda é Fu Manchu, uma das responsáveis por moldar os caminhos do Stoner como conhecemos hoje. O álbum é um compilado, que como o Chili, reúne ingredientes baratos em uma fórmula estranhamente perfeita. Aqui temos uma das primeiras gravações da banda numa qualidade p***a mas que funciona, as músicas passam e o álbum vai embora deixando aquele saudoso amargo na memória parecido com o dessa Meantime. O volume de apreciação recomendado é: alto, siga corretamente essa instrução e o sucesso é garantido. Lembre-se de calibrar a pimenta do Chili e repita o quanto necessário.
Spotify: https://open.spotify.com/album/5T9n2JAvInjvEg97datBm3
Always fill your whiskey/beer glass to the brim.
The code of the west