Bite the Beer

Bite the Beer The main focus of our small project is to pair not essentially two, but three main ingredients, which are beer, food and music.

Chili, Meantime Naval College Old Porter e Fu ManchuPRATO: ChiliEssa semana a coisa ficou séria, apimentada e empoeirada...
15/06/2016

Chili, Meantime Naval College Old Porter e Fu Manchu

PRATO: Chili
Essa semana a coisa ficou séria, apimentada e empoeirada. Foi a vez do comidão do deserto: Chili. Já deu até um suadouro e vontade de abrir aquela cerveja gelada.
Chili é o prato-símbolo do Estado do Texas e talvez um dos mais famosos na Gastronomia norte-americana. Suas origens surgem no século XIX utilizando carne salgada, o que facilitava o transporte e impedia que o alimento se tornasse perecível nas viagens.
Nossa versão é um pouco independente, um pouco maverick. Nós analisamos várias receitas diferentes e pegamos o que mais nos agradou em cada uma delas para criar a nossa, mantendo em mente que se trata de um cozido rústico, cheio de sabor e reconfortante. Existem muitas versões de chili (com ou sem feijões, com ou sem tomates, Texas Chilli, Cincinnati Chilli, com pimentas frescas ou secas, etc). Cada uma valorizando determinado ponto da receita. Gostamos de pensar que o nosso valoriza ao máximo cada etapa, culminando para um excelente resultado final.
Basicamente, assim como em todo guisado, a chave está em utilizar apenas uma panela, fazendo uma coisa de cada vez e, dessa forma, ir construindo aos poucos as suas camadas de sabor. Nós começamos por caramelizar ao máximo a nossa carne moída, em temperatura alta e pouca quantidade por vez para não sobrecarregar a panela, esfriá-la e fazer com que a carne soltasse água. O importante aqui é fritá-la. Depois, na segunda etapa, entramos com os nossos aromáticos - apenas pimentão verde e cebola roxa na manteiga - uma etapa delicada, elegante, em fogo baixo. Uma vez macios, passamos para a etapa 3, aonde adicionamos todos os temperos (paprika doce e picante, chilli powder, pimenta caiena, pimenta do reino em pó e cominho). Demos uma leve fritada para “ativar” os temperos - senão teríamos um resultado “empoeirado” no final do chili.
Próximo passo foi voltar a carne para a panela, misturar tudo, acrescentar o feijão pré-cozido no molho de tomate, o próprio molho (tomate enlatado serve apenas para segurar papéis na sua mesa de trabalho) - e esperar. No mínimo duas horas. Mínimo.
Para finalizar nosso chili, construímos a camada final de aroma, sabor e textura. Para simular um efeito cowboy-céu-aberto-fogueira, já com o fogo desligado, colocamos molho barbecue de alta qualidade (lembrando que nada será melhor do que se você fizer o seu próprio molho barbecue). E, para o grande final, o que dará a textura de veludo, sabor reconfortante e coloração “água-na-boca”, um punhado de chocolate amargo (no mínimo 70% - nós utilizamos 82%).
Agora é só abrir as tortillas, pegar a cerveja pra você e os amigos, abaixar a agulha na primeira faixa e curtir um Fu Manchu no talo.
Viva o deserto!

CERVEJA: Meantime Naval College Old Porter
Hmmm...e pra acompanhar este desértico, empoeirado e picante chili?
Camadas de sabores deliciosos foram pensados no preparo e assim faremos a harmonização. Pra cada camada de gosto, sabor e aroma temos uma harmonização que pode ser feita e precisamos juntar tudo isso em uma cerveja só.
Assim como o preparo do Chili, devemos pensar na harmonização por partes. Temos a carne caramelizada e o molho de tomate que são carregados de umami e harmonizam por contraste com uma tosta de malte intensa, as reações de Maillard tanto da carne quanto dos grãos de malte tostados harmonizando por semelhança, contraste do apimentado do chili com o maltado da cerveja e muita gordura e cremosidade que deve ser retirada da boca com a ajuda de um alto teor alcoólico. Uma bela Porter reúne todas estas características.
E ainda, como ser mais completo pensando numa cerveja que combine com o tema American Wild West do jantar? Harmonizando o Chili com a Meantime Naval College Old Porter. Este rótulo possui este nome porque o original “Hospital Porter” foi proibido pela legislação americana porque o termo “hospital” poderia passar a ideia para o consumidor de que o álcool contém benefícios a saúde. E não?
Este rótulo é armazenado em barris de carvalho de whiskey agregando os sabores da madeira a bebida lentamente e dando um toque de defumação que complementa nosso Chili. Mais deserto que esta cerveja seria impossível.

SOM: Fu Manchu
Um som que nasce no deserto da Califórnia para acompanhar a nossa Porter e nosso Chili. A banda é Fu Manchu, uma das responsáveis por moldar os caminhos do Stoner como conhecemos hoje. O álbum é um compilado, que como o Chili, reúne ingredientes baratos em uma fórmula estranhamente perfeita. Aqui temos uma das primeiras gravações da banda numa qualidade p***a mas que funciona, as músicas passam e o álbum vai embora deixando aquele saudoso amargo na memória parecido com o dessa Meantime. O volume de apreciação recomendado é: alto, siga corretamente essa instrução e o sucesso é garantido. Lembre-se de calibrar a pimenta do Chili e repita o quanto necessário.

Spotify: https://open.spotify.com/album/5T9n2JAvInjvEg97datBm3

Always fill your whiskey/beer glass to the brim.
The code of the west

Panna Cotta , Liefmans Fruitesse and Mercy, Mercy, Mercy.SOBREMESA: PANNA COTTAPanna Cotta talvez seja a sobremesa itali...
18/04/2016

Panna Cotta , Liefmans Fruitesse and Mercy, Mercy, Mercy.

SOBREMESA: PANNA COTTA
Panna Cotta talvez seja a sobremesa italiana mais famosa fora da Itália, junto com o Tiramisù. Sua fácil execução e ingredientes relativamente baratos, fez com que virasse âncora nos menus de muitos restaurantes pelo mundo. Existem centenas de versões, com cada cozinheiro servindo a sua interpretação do doce - o que pode ser tanto interessante como deprimente. Portanto, cuidado.
Para nós, a Panna Cotta ideal deve seguir os princípios clássicos, que são os de valorizar o sabor do leite e creme de leite, sem excesso de açúcar e usar a baunilha como unif**ador de sabor dos demais ingredientes. O coulis ou qualquer outra cobertura que for servida junto com a Panna Cotta, deve cumprir um papel semelhante ao da baunilha: deve somar, jamais se sobrepor ao delicado sabor do leite. Quanto a gelatina, nós preferimos usar a quantidade exata para que se consiga uma resistência mínima à mordida, assim o doce derrete na boca, tornando a experiência muito mais prazerosa.
Nós fizemos duas opções de cobertura, uma sendo o coulis de morango, um clássico. A outra foi uma alternativa um pouco mais moderna, de usarmos uma leve calda de chocolate. Ambas versões foram satisfatórias. O importante com a Panna Cotta, assim como acontece com muitos produtos da gastronomia Italiana, é saber aonde parar.

CERVEJA: LIEFMANS FRUITESSE
Na harmonização de doces com cerveja dois fatores importantes devem ser levadas em consideração: o quanto de gordura tem a sobremesa e o quanto doce ela é. Assim será mais fácil escolher a cerveja certa para harmonizar. Muita gordura deve ser eliminada com álcool, acidez e/ou carbonatação. O dulçor é um aspecto muito pessoal, enquanto algumas pessoas gostam da sensação de muito doce, outras consideram um pouco de dulçor um exagero. Desta forma poderá escolher a cerveja para aumentar ou diminuir a sensacão de dulçor da harmonização.
A Panna Cotta foi uma surpresa que o Cadu trouxe em uma de nossas harmonizações e como não era esperado demos a sorte de ter na geladeira a Liefmans Fruitesse de um jantar anterior.
Ela harmonizou bem tanto com o coulis de morango quanto com a calda de chocolate. Com o chocolate foi a nossa preferida, pois a mistura com as frutas vermelhas gerou uma complementação muito saborosa enquanto com o coulis de morango a cerveja apenas intensificou a sensação das frutas.

MÚSICA: MERCY, MERCY, MERCY
A busca por um som que acompanhasse essa sobremesa se preocupou com 2 elementos: o delicado da Panna Cotta e a intensidade de frutas vermelhas da Liefmans.
Nossa aposta não foi em um álbum mas em uma música: Mercy, Mercy, Mercy. Um jazz de ‘66 composto pelo pianista Joe Zawinul, na época ainda integrante do quinteto de Cannonball que gravou esse standart pela primeira vez. O som começa com um discurso de Cannonball sobre adversidades na vida enquanto uma platéia grita ao fundo, uma verdadeira Panna Cotta auditiva. Essa passagem é instantaneamente envolvida pelo tema, uma sequência simples de acordes poderosos que encharcam o ambiente com o mesmo efeito da calda de frutas vermelhas, o discurso se encerra e o tema continua em uma crescente até concluir com um convite à entrada da melodia. A resposta é instantânea, Cannonball assume o saxofone e o tema ganha sua tão esperada companhia em notas que se igualam aos goles de Liefmans que dávamos ao comer a sobremesa. Uma sensação confortante e revigorante como um fim de refeição deve ser, o clima foi sustentado até o final da música, o resto do álbum pedimos para embrulhar pra viagem.

HOT WINGS, MULA IPA & LYNYRD SKYNYRDCurte pimenta? 👌👍Lúpulo?? 👍👌Rock??? 👌👍Leia. 😃😃Prato: Hot WingsHot wings são algo mui...
02/03/2016

HOT WINGS, MULA IPA & LYNYRD SKYNYRD

Curte pimenta? 👌👍
Lúpulo?? 👍👌
Rock??? 👌👍
Leia. 😃😃

Prato: Hot Wings
Hot wings são algo muito mais método do que receita. Existem muitos jeitos de fazê-las, inúmeros temperos e pimentas diferentes. Empanar? Marinar? Deixar na salmoura? Cozinhar antes ou fritar direto? Misturá-las no molho ou servi-lo a parte? Nenhuma delas é a única forma correta. Todas são.
Para nossa versão, nós utilizamos apenas o meio das asas, sem nenhuma razão específ**a além de ser nossa parte favorita. Quanto a preparação, primeiramente nós as deixamos marinando numa solução de água e sal durante doze horas (isso faz com que a carne se mantenha muito mais suculenta e também agrega profundidade de sabor). Após esse período, nós as confitamos (método muito antigo de preservação, onde se cozinha o alimento desejado em gordura a temperaturas baixas). Isso nos garantiu ainda mais suculência para as asinhas. Finalmente, antes de servimos, nós as fritamos em óleo bem quente, para criarmos a pele crocante e coloração dourada.

A questão do molho:
Talvez essa parte seja questão mais debatida quando se trata de frango frito. Existem muitas opções de molhos no mercado (importados e alguns nacionais), e também há a opção de você fazer o seu próprio. E dentro dessa sessão de DIY, várias possibilidades se abrem. Nós fizemos o nosso próprio, e seguimos uma linha bastante diferente dos molhos apimentados dos Estados Unidos, que normalmente são os mais tradicionais pra essa preparação, com os temperos em pó, etc. Tendo morado na Itália, Cadu resolveu se basear em outra técnica para queimar nossas bocas. Um soffritto (refogado) caprichado foi feito, com cebola, bastante alho, salsão, e muito, mas muito peperoncino (pimenta malagueta seca). Em cima disso, foram adicionados tomates frescos, demos uma caramelizada para acentuar o sabor do tomate e adicionamos mais temperos como molho inglês e outros e finalizamos com folhas de salsão picadas. Basicamente, era um molho de tomate muito apimentado, inspirado no Marinara, que é servido com mexilhões no sul da Itália.
Para servir, misturamos as asas de frango já fritas com o molho, para f**arem lambuzadas com toda aquela pimenta deliciosa, e as colocamos na mesa junto com palitos de salsão para cortar um pouco a picância excessiva.
Que asinha, amigos… Que asinha.

Cerveja: Mula IPA
Pra harmonizar cerveja com um prato porrada na picância quanto as hot wings a gente poderia escolher dois caminhos. Suavizar a pimenta ou turbinar a potência. E adivinha qual decidimos seguir? 3:)
Uma cerveja com foco em malte iria suavizar a sensação de picância que o molho apimentado proporciona, já uma cerveja lupulada vai aumentar esta sensação. Amantes de pimenta como somos não poderíamos escolher outra cerveja que não fosse uma IPA. Escolhemos a Mula IPA da Cervejaria Nacional. India Pale Ale de coloração acobreada e boa formação de espuma. Aromas cítricos e de frutas tropicais - maracujá - predominantes. Os sabores correspondem aos aromas sendo possível sentir em 2º plano o malte. Corpo médio, amargor balanceado que persiste no aftertaste e final seco. Teor alcoólico moderado de 7,5%.
Nossas expectativas foram satisfeitas com esta harmonização. Fizemos um molho não tão potente e crescemos a picância com a ajuda do amargor do lúpulo. Este mesmo amargor contrastou muito bem com o umami presente tanto na carne quanto no molho de tomate realçando seus sabores. O malte em segundo plano harmonizou bem com a carne de frango e as reações de Maillard que acorreram durante a fritura e o teor alcoólico ajudou a limpar toda a gordura que a combinação asa de frango e molho de pimenta trouxeram para nossas bocas.

Som: Lynyrd Skynyrd
Para acompanhar as hot wings, esse clássico norte-americano, resolvemos harmonizar por igualdade, optando por colocar Lynyrd Skynyrd para rodar. O álbum Second Helping é o segundo da banda, lançado em 1974, e contém o mega-hit Sweet Home Alabama - aquela cutucada pro Neil Young - e também a declaração de amor mais “white-trash” do mundo em I Need You. Sensacional.
A porrada de três guitarras, os riffs rednecks, os solos melodramáticos com cabelo na cara, a pegada Honk-Tonk e o ar trash motoqueiro-bebendo-Miller combinaram muitíssimo bem com nosso frango frito apimentado. Só faltou um touro mecânico.

COXINHA, TRIPEL KARMELIET e MARIA FUMAÇAPara esta nova harmonização a gente queria algo simples e que fosse um clássico ...
16/02/2016

COXINHA, TRIPEL KARMELIET e MARIA FUMAÇA

Para esta nova harmonização a gente queria algo simples e que fosse um clássico das ruas. Mais clássico que a velha e boa coxinha não existe. Ao ponto de existir matérias de revista e rankings pra dizer qual é a melhor da cidade. De fato é o petisco de maior sucesso entre os botequeiros.

Prato: Coxinha
Coxinhas ocupam um lugar especial no coração dos paulistanos. Uma das mais famosas frituras de botecos e padarias, que não existe hora certa para comer. Café da manhã, larica da tarde ou petiscando no bar com amigos. Coxinha é sempre dahora. Fazer coxinha talvez fosse apenas uma desculpa para nos reunirmos e bebermos. Porém para mim (Cadu), a harmonização surpreendeu tanto que passei a olhar para esse salgado de forma diferente. Coxinha é coisa séria.
Porém, a maldição das coisas “automaticamente boas” também paira sobre ela. Quantas coxinhas você já não comeu que estavam horríveis? Murchas, fritas há provavelmente umas três horas e esquecidas na estufa, fria, recheio seco, com tempero muito pesado, muita ou pouca massa, ou aquele frango desfiado com tanto colorau que parece ter vindo de Chernobyl. Não necessariamente uma coxinha é deliciosa. Portanto, nós do Bite The Beer criamos uma pequena lista das coisas que acreditamos que fazem uma excelente coxinha:
- Massa saborosa. A massa tem um papel importantíssimo nesse salgado. Portanto, trabalhe o caldo de frango.
- Equilíbrio entre massa e recheio. Respeite os que apreciam a ponta. 40 - 60, talvez.
- Recheio suculento. Nada mais triste do que uma coxinha seca, que te obriga a beber 1L de cerveja por obrigação, e não por prazer.
- Recheio temperado corretamente. Não existe receita oficial para temperar o frango. Cada um faz de um jeito - o que é algo muito interessante, e torna praticamente impossível dois locais fazerem exatamente a mesma coxinha. Nós buscamos profundidade de sabor, força, equilíbrio de especiarias (sem aquele efeito que você arrota coxinha o dia inteiro) e sensatez no uso das ervas (não há necessidade de coentro no recheio, por exemplo). Nas nossas, usamos também um pouco de pimentão vermelho.
- Desfiar o frango: saber quando parar. Se o frango foi bem feito, ele f**ará úmido por mais tempo, portanto, deixá-lo em pedaços maiores favorecerá a coxinha em textura. Se desfiado demais, como um bacalhau deve ser para um bolinho, você estará comendo massa com massa.
- Catupiry. Vários locais, ao rechear as coxinhas, colocam uma colherada de Catupiry em cima e fecham a massa. Com isso, muitas vezes come-se todo o queijo na primeira mordida e o resto da coxinha f**a sem nada. Nós preferimos misturar o Catupiry com o frango, para uma distribuição perfeita, pegando frango e queijo em todas as mordidas e em proporções iguais.
- Coloração e Crocância. Empanamento em boa farinha de rosca é imprescindível, assim como a correta temperatura do óleo de fritura. Se muito frio, perde-se crocância e encharca-se a massa. Se muito quente, seu recheio permanecerá gelado enquanto seu exterior queimará. E confesse, nada mais sexy do que uma massa de coxinha seca e crocante.
- Temperatura. Coxinha é um salgado que se come quente e deve ser frito na hora.
- Condimentos. Pimenta da casa, por favor.
Com ou sem Catupiry, senhor(a)?

Cerveja: Tripel Karmeliet
Pra acompanhar este clássico dos bares paulistanos escolhemos a belga Tripel Karmeliet. Esta Belgian Tripel ainda é fabricada seguindo sua receita original de 1679 do mosteiro carmelita de Dendermond (Bélgica). Sua cor é dourada intensa e possui uma robusta e cremosa espuma devido a utilização de trigo e aveia na produção. Uma cerveja muito aromática que remete a frutas brancas e amarelas, banana e laranja, e condimentação, cravo e semente de coentro, além destes apresenta nítidas notas florais oriundas do lúpulo. Na boca o sabor acompanha os aromas apresentados, amargor médio. Aftertaste seco, mas adocicado devido a grande quantidade de ésters frutais da cerveja. Apesar do teor alcoólico de 8% ele passa despercebido nesta Tripel. Uma cerveja com alta carbonatação, frisante e muito refrescante.
Escolhemos a Tripel para harmonizar com as coxinhas porque ela tem potência suficiente para equilibrar o alto teor de gordura e condimentação para complementar o recheio da coxinha. Os maltes claros usados na cerveja não trazem sabores que irão se sobrepor ao frango enquanto as notas de condimentação a “temperam”. Os 8% de teor alcoólico e a alta carbonatação são suficientes para limparem a gordura da fritura e deixar nossas bocas preparadas para a próxima mordida.

Som: Maria Fumaça
Para empanar toda essa experiência, um som criado como nossas coxinhas: brasileiro, mas cheio de influências internacionais. O álbum Maria Fumaça foi lançado em '77 pela Banda Black Rio com uma mistura de soul, samba e funk; segue uma linha bem concisa apesar de imprevisível e desce muito bem do começo ao fim. A harmonização ficou excelente, como esperado, e criou uma atmosfera interessante alimentando nossa conversa enquanto nossas cabeças f**avam embriagadas de groove. Recomenda-se tentar isso em casa.

DEVIL'S MENU: PARTE 3Torta de chocolate com azeite, Liefmans Fruitesse e ...PRATO PRINCIPAL: TORTA DE CHOCOLATE COM AZEI...
08/09/2015

DEVIL'S MENU: PARTE 3

Torta de chocolate com azeite, Liefmans Fruitesse e ...

PRATO PRINCIPAL: TORTA DE CHOCOLATE COM AZEITE E SORVETE DE IOGURTE
Para o prato que encerra o nosso encontro, escolhemos uma das opções de sobremesa mais clássicas do mundo: a torta de chocolate, preparada com 86% de cacau, seu paladar traz a característica dos amargos, que permanece na boca e te faz lembrar da sensação por horas. Ficam com a responsabilidade de adoçar a experiência o sorvete de iogurte e a cerveja, ambas que trazem consigo não somente o doce, mas também o azedo no iogurte e acidez na cerveja, dando personalidade ao prato. Servidos, cada pedaço é envolvido em fios de azeite que realçam todos os sabores apresentados e criam uma sensação única na boca.

CERVEJA: LIEFMANS FRUITESSE
Para acompanhar a torta de chocolate e o sorvete de iogurte escolhemos uma cerveja muito refrescante para finalizar as harmonizações da noite. A Liefmans Fruitesse é uma Fruit Beer feita com 5 tipos de de frutas vermelhas e, como a própria cervejaria sugere, pra ser tomada com gelos.
Ela possui coloração rubi e boa formação e retenção de espuma. Seus aromas e sabores remetem as frutas vermelhas como morangos, cerejas, framboesas e leve acidez. No aftertaste apresenta leve secura e dulçor das frutas vermelhas. No geral, é uma mistura complexa com frutas vermelhas por todos os lados.
A ideia de utilizá-la na harmonização foi para que ela fizesse o papel que uma calda de frutas vermelhas faria. Desta forma criamos um elo na harmonização e a cerveja complementa a sobremesa. Como a cerveja ainda apresenta alta carbonatação ela ajudar a limpar a gordura do azeite no paladar.

MÚSICA: …
Para encerrar nossa harmonização, trazemos um daqueles álbuns que sintetiza tudo. Sem um nome definidor, tem como título seus integrantes principais, Duke Ellington & John Coltrane. Um disco que, à sua época, reuniu estilos e gerações, o clássico tocado por Ellington somou-se à inovação de Coltrane. Com temas sutis e melodias elegantes, o álbum constrói uma atmosfera particular sempre que é colocado para rodar. E foi justamente essa atmosfera que escolhemos para acompanhar a torta de chocolate com a Liefmans, deixando todos envoltos em uma fumaça sonora que tomou o ambiente e nos carregou até o fim do nosso primeiro jantar.

Paladares satisfeitos, estômagos recheados e ouvidos em sintonia encerramos nosso primeiro Devil’s Menu. Até o próximo.

DEVIL'S MENU: PARTE 2Bochecha de Boi, Celebrator e Live EvilPRATO PRINCIPAL: BOCHECHA DE BOI COM PURÊ DE BETERRABAO mome...
28/08/2015

DEVIL'S MENU: PARTE 2

Bochecha de Boi, Celebrator e Live Evil

PRATO PRINCIPAL: BOCHECHA DE BOI COM PURÊ DE BETERRABA
O momento central de nosso jantar. A expectativa foi elevada com a entrada, e toda a mesa espera por um prato à altura na sequência. Fomos em busca de inspiração em uma de nossas bíblias pessoais: The Whole Beast - From Nose to Tail. Escrito por Fergus Henderson, o livro trata sobre o uso dos animais de cabo à rabo na cozinha. Aproveitar o máximo é a maior forma de respeito com o animal que deu sua vida para estar em nossas mesas.
Assim chegamos as bochechas. Um prato que já instiga a mente por seu principal ingrediente. Foi preparado por 8 horas no vácuo utilizando o método Sous-vide. O objetivo da técnica é manter a integridade do alimento, evitando a perda de umidade e sabor. Para acompanhar, um purê de beterrabas e suas folhas, dando novamente um tom ensanguentado ao prato.

CERVEJA: AYINGER CELEBRATOR
A cerveja que escolhemos para a harmonização foi a Ayinger Celebrator, uma Doppelbock (um clássico estilo alemão). Esta cerveja engana muita gente, pois apesar de ser uma Lager é uma cerveja complexa e com diversos aromas que geralmente não encontramos nas Lagers comuns. Ela tem coloração marrom escura com reflexos avermelhados e uma ótima e persistente espuma marrom clara. No nariz o malte é dominante lembrando chocolate e caramelo em segundo plano. Além do malte podemos sentir frutas pretas secas. Os sabores são condizentes com o aroma mas com o chocolate um pouco mais evidente e podemos sentir um certo dulçor residual. Possui amargor e corpo médios. Aftertaste levemente amargo devido a tosta do malte e também leve adocicado. No final deixa uma sensação de aquecimento devido ao alto teor alcoólico.
Quando harmonizamos a bochecha de boi com a Celebrator conseguimos obter os novos sabores que não encontraríamos se fossem degustados individualmente. O dulçor da cerveja equilibra o gosto salgado da carne e seus sabores de caramelo e chocolate se assemelham com a caramelização obtida no preparo da bochecha. Por contraste temos a harmonia entre a tosta do malte e o umami da carne e, por fim, toda a gordura é limpa pelo álcool.

MÚSICA: LIVE EVIL
Para acompanhar o choque das bochechas de boi e a intensidade da Celebrator: Live Evil. De traz pra frente e de frente pra traz, um dos albuns mais estranhões do Miles. Lançado em 1971, ele traz uma mistura agressiva de sons que combina a liberdade do jazz com a eletricidade do rock da época. Nada fácil de ouvir para ouvidos despreparados, mas quem disse que o Devil's Menu seria fácil de engolir. A combinação com o prato e cerveja ficou excelente, e pode ser consumida sem moderação.

EM BREVE:
Devil's Menu Part 3 - Sobremesa

DEVIL'S MENU: PARTE 1Hoje é um grande dia, avançamos mais um passo nesse nosso pequeno projeto. Há pouco tempo atrás, qu...
10/08/2015

DEVIL'S MENU: PARTE 1
Hoje é um grande dia, avançamos mais um passo nesse nosso pequeno projeto. Há pouco tempo atrás, quando estávamos em uma de nossas reuniões, tivemos uma ideia muito interessante: “O que serviríamos ao Diabo, se ele aparecesse para o jantar?”. Crenças a parte, a questão nos pareceu cheia de possibilidades, o que iria satisfazer um personagem como esse?
O menu não poderia ser composto apenas por um único prato ou cerveja ou, muito menos, um só disco. Tinha que ser um jantar completo, com uma bela mesa, pratos contemporâneos, uma distinta seleção musical e cervejas classe A. Faríamos o nosso melhor, afinal de contas, teríamos um convidado um tanto quanto peculiar para o jantar. Optamos por um menu completo, com três pratos, três cervejas e três discos, para seis pessoas especialmente selecionadas.
Pouco se passou para percebemos que a ideia poderia se tornar um evento, onde poderíamos convidar alguns amigos para mostrar nosso trabalho, e do que se trata realmente nosso projeto. Mais pessoas poderiam compartilhar da experiência Bite the Beer, estava criado o Devil's Menu. (produzimos um convite físico e endereçamos especif**amente para cada convidado)

O DIA “D”
Para recepcionar nossos convidados, preparamos um pequeno couvert de boas-vindas. Pão de boa qualidade com fermentação natural, servidos com dois tipos de manteigas caseiras: uma maturada (para proporcionar uma agradável acidez) e uma de cenoura ou caroteno (com uma doçura adicional). Para harmonizar com este combo clássico, escolhemos as gravações completas de Robert Johnson (e também para confirmar que o jantar era mesmo para o capiroto).

ENTRADA: CROQUETTAS DE SANGUE COM LENTILHAS AMARELAS
O chute inicial do nosso jantar, queríamos servir um prato inesperado, suculento aos olhos e narizes e ao mesmo tempo com algo sombrio em sua essência, que te deixasse intrigado com a combinação de elementos. A entrada sempre deve ser o prato que chama a atenção para a mesa, que os faz esquecer a conversa que estava acontecendo durante o couvert e define as expectativas para o prato principal. Nossa escolha foi uma croquetta feita com linguiça de sangue e batatas, cheia de especiarias. Para receber, uma cama de lentilhas amarelas feitas no caldo de frango. Ao topo, finalizamos com uma gema de ovo cozida no azeite, apenas até f**ar cremosa, e uma tira de bacon crocante.

CERVEJA: WEE HEAVY 90
Para harmonizar com esta entrada que surpreendeu a todos escolhemos a Wee Heavy 90 da cervejaria escocesa Belhaven. Utilizando uma das regras mais simples da harmonização combinamos força com força, um prato intenso com uma cerveja potente levaram os sabores a um patamar delicioso.
A Wee Heavy 90 é uma cerveja de coloração marrom claro com reflexos avermelhados e possui ótima formação e estabilidade de espuma. Seus aromas e sabores são dominados pelo rico dulçor de caramelo provenientes do malte. Na boca podemos sentir a cerveja que possui um corpo médio alto, baixo amargor e boa carbonatação. O aftertaste deixa uma leve sensação aquecimento devido ao alto teor de álcool, 7,4%, e dulçor. Uma cerveja bem equilibrada em todos seus aspectos.
E por que a Wee Heavy 90 para harmonizar com a croquetta de morcilla? Além de combinar força com força, a cerveja traz um forte dulçor de caramelo que irá equilibrar os sabores terrosos da linguiça de sangue e acalmar o leve apimentado das especiarias. No preparo do prato esta croquetta é frita trazendo gordura e que cortamos utilizando o álcool presente na cerveja. Desta forma, a nossa boca f**a limpa dos sabores que acabamos de harmonizar para repetirmos o ritual.

MÚSICA: SOMETHIN' ELSE
Para o som, procuramos por algo que se apresenta sem muita reserva, fácil de ouvir, mas que no fundo reserva-se algo a mais, um toque extra capaz de elevar toda a equação a um patamar superior. Assim, propomos o Somethin’ Else. Um daqueles álbuns excepcionais de jazz, que desce igual água da primeira a última música. No comando, Cannonball Adderley, saxofonista peso pesado, que propõe temas mais lentos, carregados de blues e com melodias que agradam qualquer ouvido. Uma excelente viagem, mas as coisas não param por aqui, o álbum mal começa e o algo a mais aparece: Miles Davis (em uma de suas raríssimas aparições como “side-man”), recheando o álbum como a linguíça de sangue recheou as croquettas. Ao final da música “One for Daddy-O” Miles pode ser ouvido dizendo ao seu produtor musical: “is that what you wanted, Alfred?”. Ao final de nossa entrada, nos colocamos no lugar de Alfred e respondemos: “sim, Miles, era isso o que queríamos!”.

EM BREVE:
Devil's Menu Part 2 - Prato Principal

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DEVIL’S MENU: PART I
We’ve taken a big step in our small project. One day, when we were in a meeting, we came up with a very interesting idea. “What would we serve and play if the devil himself showed up for dinner?”. It was too good of an idea for us to simply let it slip through our fingers.
As our guest would not be satisfied with just one dish, one beer neither only one record, it had to be more, it had to be an entire meal, with a beautifully set table, contemporary dishes, a distinctively musical selection and class A beers. We’d make our best and more, after all, we’d have an interesting guest for dinner, to say the least. We settled in a three course-menu, three beers, three records, for six very special people. The Devil’s Menu was created.
Quickly it became our little gem, our special event, where we realised we could invite people (we made an actual invitation, addressed specif**ally to the person we wanted) to show our work, and what this project is really all about. People could live the Bite The Beer experience.

THE “D” DAY
As our guests were arriving, we prepared a little welcome snack. Good quality bread with natural fermentation, served with two types of homemade butter: a cultured one (to provide a nice acidity) and a carotene butter (for that extra sweetness). To pair with that classic combo, we chose the complete recordings by Robert Johnson* (and also to confirm that what we were doing was the Devil’s Menu indeed).

THE APPETISER: BLOOD CROQUETTE WITH YELLOW LENTILS
For the first course, the official start line of our dinner, we wanted to make a dish that would surprise, and to make it clear what the dinner is all about. The appetiser should always be the dish that attracts people’s attention to the table. The dish that makes them forget about the chit-chat that was going on during the couvert and leave them anxious for the main course. Our appetiser was a croquette made out of blood sausage and potatoes, full of spices, served on top of yellow lentils in a light chicken consome. On top, we finished the dish by adding an egg yolk cooked in olive oil just until it was creamy, and a crunchy strip of bacon.

BEER: WEE HEAVY 90
To pair with this appetiser that surprised everyone we chose the Wee Heavy 90 beer by Belhaven Scottish brewery. Using one of the simplest rules of pairing we combine strength with strength, an intense dish with a powerful beer led the flavours to a delicious high level.
The Wee Heavy 90 has light brown color with red highlights and has excellent foaming and stability. Its aromas and flavors are dominated by the rich caramel's sweetness from the malt. In the mouth we can feel the beer, it has a medium high body, low bitterness and good carbonation. The aftertaste leaves a slight feeling heating due to the high content of alcohol, 7.4%, and sweetness. A well-balanced beer in all aspects.
And why did we choose the Wee Heavy 90 to pair with the blood-sausage croquetta? In addition to combining strength with strength, the beer has a strong sweetness of caramel that will balance the earthy flavors of blood sausage and calm the slight peppery spices. In the preparation of this dish, the croquetta is fried bringing fat and we cut using the alcohol in the beer. Thus, our mouth stay clear of the flavors that we just paired to repeat the ritual.

MUSIC: SOMETHIN' ELSE
Searching for the sound we went looking for something that presents itself without much reservations, easy to hear, but that deep inside reserves something else, an extra touch capable of raising the whole equation to a next level. Therefore, we propose the Somethin 'Else. One of those exceptional jazz albums, which goes like water from the first to last song. Ahead of the band, Cannonball Adderley, a heavyweight saxophonist proposing slower themes, loaded with blues and melodies that pleases any ear. An excellent trip already, but things did not stop there, the album barely begins and that 'something else' appears: Miles Davis (in one of his rare appearances as a side-man), filling the album like the morcilla has filled the croquettas. At the end of the song "One for Daddy-O" Miles can be heard telling his music producer: "Is that what you wanted, Alfred?". At the end of our entry, we put ourselves in Alfred's place to answer: "Yes, Miles, that's what we wanted."

COMMING SOON:
Devil's Menu Part 2 - Main Course

Endereço

São Paulo, SP

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