E O MESA DE SAN MIGUEL? Um antirrestaurante é um lugar transgressor. Porque funciona eventualmente, ou seja, não possui dias fixos para fornecer o serviço de restauração. Mas, também porque quando abre, possui hora para começar a refeição. Assim, todos os convivas devem chegar mais ou menos juntos, pois a refeição será servida para todos, sendo indelicado deixar os outros (ou a comida) esperando por. A pontualidade não é difícil, pois o número de pessoas atendidas é sempre muito restrito. Neste caso, entre 12 e 14 pessoas. Aliás, o serviço começa na hora marcada, ele não espera pelos retardatários. Um antirrestaurante, por outro lado, também transgride porque não tem cardápio (é o menu que pode variar de uma reunião para outra). O menu é apresentado neste blog e quem se interessar adere a ele, ao dia e à hora marcados. Assim, não existem opções ao que foi preparado (em um restaurante sempre se pode pinçar alguma outra coisa no cardápio, no anti, não, pois neste caso, ele – o cardápio, ou seja, as outras opções – não existem). Evidentemente não se trabalha com congelados. Também não há garçom, pois o conviva traz sua própria bebida, bem como manipula o saca-rolha. Isto comunica uma grande liberdade ao hóspede, pois pode beber o que lhe apetecer: ao paladar e ao bolso (também não se cobra pela rolha). No que tange à coberta de mesa: toalhas, guardanapos, taças, talheres, não precisa ser homogênea. São mais transgressões. E dado não ser um restaurante normal que pode estocar comida, congelar, etc., tudo o que não for consumido durante o evento precisa ser descartado: um lamentável desperdício. Assim, como é muito frequente as pessoas reservarem e não comparecerem (um traço perverso da cultura nacional) e sendo uma casa que trabalha com poucos lugares (somente um ou outro dia no mês), então, cobra-se adiantado. Este é o nosso caso, claro! E isto encerra a lista de transgressões, ou seja, a lista das negações em relação a um restaurante convencional. Então…
Comida, noiva e professor,
É a gente que espera por. QUEM SOMOS
Embora o Luiz tenha passado toda sua vida envolvido, prazerosa e eventualmente, com refeições para seus amigos, foi só recentemente que conseguiu sistematizar o conhecimento mais elementar sobre cozinha no SENAC, onde conheceu Aline. Aline tem cozinha no DNA, pois é neta dos donos do saudoso restaurante Sans Souci. Juntos, eles tocam essa experiência no Mesa de San Miguel. Assim, a pesquisa, a seleção e o planejamento das refeições estão a cargo do Luiz; enquanto o trabalho de laboratório e o da execução das preparações do evento corre por conta do Luiz e da Aline. Já o Cassiano cuida da sala. Enfim, é também o Luiz que produz o discurso sobre a história do que é comido, passo a passo, enquanto vai sendo servido.