15/09/2026
A pedra-sabão é paixão, objeto de pesquisa e ofício de Maria Sônia Pinho (), convidada das Noites Vicentinas. Venha prestigiar!
📍 Restaurante Chafariz
📅 Sexta-feira, 18 de setembro
🕕 19h30
Com formação acadêmica em Arte e Educação tive desde cedo contato com a matéria-prima “pedra-sabão” pelos idos dos anos 1978, e foi uma grande surpresa, tendo feito esculturas (sempre em local inapropriado na minha casa, devido ao excesso de poeira da lixa...coisas do ofício). Deste corte literal, em 1993 fui sem qualquer expectativa a Ouro Preto passar uns dias de férias que mudaram a minha vida. A garota nascida na zona sul do Rio/balneário carioca, caiu de cabeça num mundo barroco, nas esquinas de pedra-sabão, fossem nos chafarizes, nos monumentos e na feirinha, aqui atravessou a minha cabeça.
E mergulhei, deixei a vida dos biscoitos “globo” para uma outra esfera global onde a
Cultura se estabelecia com grandiosidade, havia muito a aprender. Logo propus uma pesquisa sobre a pedra-sabão ao Ministério da Educação, e para minha
surpresa fui aceita. A investigação se iniciou pela cidade e pelos artesãos buscando
entender se havia alguma intercessão na herança cultural! Esbarrei num atrito fundamental, que provocou toda a minha fundamentação: a causa e por conseguinte a consequência. A dificuldade do nativo, conhecedor da matéria-prima, do acesso e conhecimento do manuseio e uso utilitário, em reconhecer ou perceber minimamente a confluência da pedra-sabão, na história da cidade de Ouro Preto.
Alguns anos depois se inaugurou a primeira coleção de utilitários em pedra-sabão com a minha autoria; porque entendi imediatamente que o diálogo a troca e a linguagem se dariam na oficina, na prática e aprendizado, nada de teorias. Estabelecida a conversa e a conquista entre as partes, os artesãos e eu, se abriu um percurso que se desdobrou em diferentes ações e sem dúvida alguma impactou no que se encontra atualmente, neste século XXI, na mesma cidade que tanto adoro!