15/08/2026
Crônica: : Sertão a força da vida
O sertão dá de tudo que a gente precisa.
Há quem diga que a vida aqui é difícil.
E é.
Mas eu pergunto: o que é fácil para você?
Aqui, a vegetação aprende a sobreviver quase sem água. O sol escaldante castiga até as folhas caírem. Os açudes secam e a terra rachada aparece, desenhando no chão um labirinto que parece feito à mão.
E, ainda assim, a vida insiste.
A palma, cheia de espinhos, vira socorro quando falta alimento para o gado. As fruteiras brotam e os pássaros chegam antes da colheita, porque na natureza a fome também não espera.
Se aparecem mosquitos, os sapos agradecem.
Se há sapos, as cobras encontram alimento.
As galinhas comem escorpiões, formigas e tantos outros insetos.
Mas basta jogar um punhado de milho no terreiro para elas esquecerem o resto.
De grão em grão, enchem o papo.
É assim no sertão. Uma vida vai sustentando a outra e a própria natureza encontra maneiras de atravessar as dificuldades — não porque alguém planejou, mas porque a vida tem uma sabedoria que nenhum livro ensina completamente.
Aqui, a vaca dá o leite. O vizinho ajuda na ordenha.
O leite chega ainda morno e depois vira queijo, coalhada, manteiga ou aquele doce amarelinho que adoça a boca e a memória. E pela manhã, leite com cuscuz pode valer mais que qualquer pão quentinho.
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