13/09/2026
• O SAPO DO SOJU •
Vi alguns sapos por aqui e fiquei curiosa…
A história começa em 1924, quando nasceu a Jinro. E uma curiosidade: o primeiro animal usado pela marca não era o sapo — era um macaco.
Depois da Guerra da Coreia e da reorganização da produção no Sul, a marca passou a buscar um símbolo que tivesse uma identificação cultural mais forte com os coreanos.
Foi então que, na década de 1950, entrou em cena o 두꺼비 (dukkeobi) — mais precisamente um toad, aquele sapo mais robusto.
Na cultura tradicional coreana, o 두꺼비 carrega significados ligados à prosperidade, longevidade, abundância e boa fortuna. Não demorou para que ele se tornasse inseparável da imagem da Jinro.
E existe uma conexão poética maravilhosa com o próprio nome da bebida.
Jinro — 眞露 — pode ser traduzido como “orvalho verdadeiro” ou “orvalho genuíno”.
O “orvalho” remete à ideia de algo límpido e puro, enquanto o sapo escolhido pela marca carregava consigo os símbolos de sorte e longevidade.
Assim, uma simples figura na garrafa acabou atravessando décadas e se transformando em um dos símbolos mais reconhecidos do soju coreano.
Mas esse não é o único sapo que guarda uma história na Coreia…
Existe também o 청개구리 (cheonggaeguri), o “sapo verde” de uma antiga história popular.
Conta-se que ele era um filho que sempre fazia o contrário do que sua mãe pedia. Antes de morrer, ela pediu que fosse enterrada perto do rio, acreditando que ele desobedeceria mais uma vez e escolheria um lugar seguro.
Mas, arrependido, dessa vez ele resolveu obedecer.
E sempre que chovia, ficava junto ao rio, chorando de medo de que a água levasse o túmulo da mãe.
Por isso, sua história atravessou gerações falando sobre desobediência, arrependimento e respeito aos pais.
Duas histórias.
Dois significados.
De um lado, sorte, prosperidade e longevidade.
Do outro, amor, arrependimento e uma lição que atravessou gerações.
Quem diria que um pequeno sapo poderia contar tanto sobre a Coreia? 🐸🇰🇷
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Gomapseumnida,
Onni | Chef Kátia Cho.
Coreia do Sul | Setembro 2026.