04/01/2019
A Tele é Grátis?
Leia esta história abaixo enviada por mensagem.
"Meu nome é Claiton, tenho 34 anos, moro em Porto Alegre no bairro Nonoai. Tenho dois filhos, um de 8 anos e outro de 3.
Cursei faculdade de jornalismo, porém não terminei devido o custo alto das mensalidades e por eu ter meus filhos para sustentar e já não estava dando conta de pagar tudo.
Trabalhava das 7:30h da manhã até as 17h em uma empresa de telefonia e as 18hs trabalhava em uma pizzaria de entregador motoboy.
Chegava em casa diariamente após a 1h da manhã, porém precisava deste sacrifício pelo meu futuro e minha família.
A profissão de motoboy entrou por uma necessidade, já que precisava pagar contas e dar o melhor para meus filhos e pagar estudos, mas em 6 anos trabalhando a noite de entregador sofri muito.
Já sofri alguns acidentes, não porque eu era imprudente, mas sim pelo não cuidado dos outros motoristas para com nós motoboys, pois sempre saia com pensamentos em voltar pra casa e ver meu filhos.
Sofria nas noites de muito frio, de muita chuva e quando era os dois juntos daí era só Jesus na causa. Passei por alguns tombos e acidentes nestes anos de entregador, mas infelizmente são inevitáveis por vezes.
No dia 12 de Maio de 2018 minha vida mudou por completo e pra pior mudança que me aconteceria.
O restaurante recebeu um pedido de uma cliente no bairro Assunção em Porto Alegre, próximo ao Shoping Barra Sul. Esta cliente se negou a pagar a entrega devido pedir toda semana e seu valor era de R$7,00 e o restaurante decidiu então atender a solicitação de não pagamento de tele dela.
Lembro que era perto das 20hs e sai do local para a entrega as 21h.
Ao chegar na frente da residência desta cliente e estacionar a motocicleta, fui abordado por dois homens em outra moto que anunciaram um assalto. Não reagi, pois lembrei de minha família.
Eles mandaram eu dar as costas e caminhar sem olhar para trás e fiz isto, mas mesmo assim fui alvejado nas costas e hoje estou inválido em uma cama sem poder ao menos me banhar sozinho.
Não conto esta história para sensibilizar ninguém e sim para fazer algumas pessoa entenderem que entregador motoboy tem família, tem vida e que não há valor de Tele Entrega que devolva minha saúde e mobilidade nas pernas.
Quando fizerem um pedido de Tele, não fiquem reclamando do valor que pagará pela entrega, pois este valor por vez nem paga o gasto que você teria se fosse buscar no local, mas os 5, 6, 7, 10 ou seja lá o valor que pagará fará com que receba na porta de sua casa e quem levará pra vc estará na rua passando pelo que passei ou por outras coisas que o farão talvez nem voltar para casa.
Deixo meu desabafo e espero que sirva pra valorizarem os motoboys, tanto os clientes que não querem pagar as teles, como as empresas que os menosprezam."