31/12/2023
é par. quatro anos de resto de farinha na unha, problemas vasculares, viscosidade de massa na mesa, cantinho do cotovelo assado no forno, bate cabeça com planilha e muito bate pão sobre papo.
esse tempo todo, da cozinha da família ter ficado pequena e ter buscado o sonho no quintal. parcelando cada equipamento, conquistando cada pedido, dividindo espaço com um cachorro que já se foi, com um palco de teatro a todo v***r, fugindo de gambás gatunos e felinos brigões nas matas dos verdes de mãe tânia.
hoje o triângulo se arquiteta. eu, e nos dividindo em 30 na abertura dos portões. abre, fecha, troca placa. sai pão quente, sai pão frio. pão de queijo, canela e chocolate cheirando no bairro jardim excelsior todo. com meus vasos sanguíneos já mais relaxados (assistenciados pelo casal) trafegamos nessa massaroca da forma de uma padaria de fermentação selvagem. sempre uma fofoca no portão, um rádio nos ouvidos e tentando controlar a temperatura do nosso corpo em relação aos dois fornos fulminantes: um ferri lá dentro e um astro rei lá fora.
muita coisa muda e muda. hoje estamos até em arraial, búzios, saquarema e até em uns cantinhoa da serra. agora, o que não muda é nossa comunhão com o selvagem. aquele que às vezes nos deixa na mão, no vacilo. aquele que quando a gente domina... é satisfação. satisfação que o pão responde sorrindo, pronto pra derreter no seu mar de ácido gástrico.
nesse ano par a gente volta com fúria, depois de relaxar as pernas e a mente em semanas importantes pro nosso corpo de funcionários: última semana de dezembro e primeira semana de janeiro.
obrigado por confiarem na pesquisa e no trabalho intenso da equipe paõ. não somos uma bakery nem uma padaria fancy. às vezes somos até incompententes... mas nosso pão é F**A!!
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