O preservar que só o sal proporciona permitiu que o homem fosse cada vez mais longe. A salmoura conservou a caça das sociedades primitivas, ampliou os horizontes do mundo permitindo que se passasse meses nos mares, garantiu a sobrevivência, a permanência, a divergência. Há quem diga que sal era honraria recebida pelos soldados como reconhecimento por coragem. Diz-se que guerras foram travadas em seu nome. Sua importância não é despercebida em nenhuma história. Nem na nossa. A conexão de produzir com técnicas milenares, da mesma forma que nossos antepassados mais distantes, é o que nos faz seguir em frente. É como reviver a história, encontrar nela nosso espaço, é reescrevê-la por cima de um rascunho muito nítido. Reconhecer o tempo de cada processo e cada etapa é uma arte. A paciência para deixar a natureza seguir seu curso sabendo que no fundo não temos o controle é um aprendizado diário. A metáfora da vida. Assim seguimos, utilizando o mais básico dos ingredientes, recolocando-o em seu lugar de destaque, dando espaço para que ele brilhe e ganhando como recompensa sabores e texturas inigualáveis.