Como é cada vez mais comum bares bolarem cardápios supostamente requintados, o surgimento de algum estabelecimento dedicado a petiscos tradicionais é algo a comemorar. Tudo o que sai das panelas do Maria Lelé, aberto em março, tem gosto de coisa feita em casa. Típico boteco belo-horizontino, ele é pequeno, tem mesas na calçada e vem sendo frequentado principalmente por moradores dos arredores. Que
m capitaneia o negócio é o casal de namorados Felipe Mendes de Freitas e Cynthia Isvetcoff. Ela se diz pioneira na implantação da pizza em cone por aqui, algo que aconteceu há quatro anos. Aprendeu a cozinhar com a mãe de origem síria e depois aprofundou seus conhecimentos em passagens por cursos no Senac e no Instituto Gastronômico (IGA). A montagem do boteco tem ainda um quê de homenagem, pois ali mesmo os pais de Cynthia (seu Lelé e dona Maria) mantinham um bar cerca de cinquenta anos atrás.Além de bem servidos e apetitosos, os tira-gostos têm preços atrativos e apresentação caprichada. A farta porção de carne de panela servida com mandioca e pimenta-biquinho (R$ 28,00) chamou atenção pelo sabor caseiro. A consistência da carne estava na medida, e molhar os pãezinhos que a acompanham no molho deixou a combinação ainda mais apetitosa. E com uma surpresa: quem pede o petisco ganha uma dose de cachacinha mineira. Com a mesma qualidade chegou o lombo em cubos ao molho barbecue (R$ 28,00). Os cones não podiam ficar de fora, conforme a vontade da chef, e são feitos em nove sabores, a R$ 10,00 cada um. O atendimento informal e cortês cativa a clientela, que estica o bate-papo enquanto bebe as cervejas Brahma (R$ 6,70) ou Original (R$ 7,70). Quando cumprida a promessa de funcionamento do terraço, o boteco deverá ficar ainda melhor.