CANIL RUPESTRE

CANIL RUPESTRE AFIXO [DO] RUPESTRE
CANIL PT1100SFL
Aqui no meu cantinho quero partilhar com todos vós esta minha paixão dia a dia vamos fazer história ❤

Bem-vindos ao meu cantinho. Aqui, vou partilhar a minha paixão, uma paixão enorme e que deixa qualquer um de coração cheio. Esta minha paixão, é por certo, a de muitos vós também, falo do podengo português, um cão dócil, fiel, companheiro, um bom guarda e claro um excelente cão de caça. Esta paixão nasce comigo na minha pequena aldeia localizada no alto Douro Vinhateiro, Muxagata, outrora terra de

caça, onde em cada casa lá estava o fiel companheiro de raça podengo. Ainda rapaz de tenra idade, traquina e rebelde como todos os catraios, na companhia dos meus avós, pois os meus pais, como tantos outros portugueses, emigraram para conseguir uma vida melhor, vivíamos numa humilde casinha, onde na loja de baixo morava o macho e a burrica, onde a candeia ainda iluminada as refeições e onde eu dormia num magnifico e saudoso colchão de palha. A todas esta pequenas maravilhas, não faltava o nosso podengo, o “Já Disse”, fiel amigo e companheiro de muitas traquinices, correrias e outras tantas aventuras por aqueles campos fora. Numa altura em que os brinquedos eram todos eles fabricados e improvisados por nós, pois a imaginação era fértil e por vezes ousadas, decidi colocar mãos na massa e eu próprio criar a minha fantasia. Foi nesse sentido que criei a minha própria replica de arma de fogo, onde só eu sabia que era uma caçadeira e que até disparava. Recordo-me como se fosse hoje, um pau, dois pedaços de corda e um conjunto de pequenos paus pendurados à cintura, assim fazia a minha espingarda caçadeira, um cordel servia de bandoleira e o outro fazia o papel da cartucheira e atava-o à cintura, onde depois pendurava os pequenos paus que faziam o pael dos cartuchos, eramos felizes com pouco. Quando ia para o campo, “caçar”, não ia sozinho, chamava o Já Disse e o “Boby”, outro podengo amarelado, mas algo travesso que era do Sr Sebastião Lúzio e os três lá íamos por montes e vales fazer a nossa caçada, se o tempo voltasse a ser o que era, o “Já Disse” e o “Boby” voltavam a ir comigo e com o meu pau que tantas caçadas fez comigo. Cresci assim, por entre a beleza da natureza da minha aldeia e a partilhar a verdadeira amizade dos pequenos podengos, sempre amigos que me fizeram começar a descobrir uma paixão que ainda hoje transporto comigo. Entretanto fui crescendo e fruto desse crescimento, começaram a surgir outras obrigações aleadas ao crescimento, veio a escola e com ela mais responsabilidades e menos tempo para ir caçar com os meus amigos de 4 patas. Numa altura de invernos rigorosos e verões escaldantes, aproveitava todos os momentos livres para brincar nos campos com os meus fiéis amigos, nem sempre íamos à caça, mas eles eram igualmente felizes a correr atrás das peças de caça que por vezes apareciam à sua frente, eram exímios caçadores. Nas férias escolares, não havia dia em que agarrava no meu pau caçadeira e na cartucheira e lá íamos, para jornadas infinitas de caça. Depois dos estudos e da boa formação que os meus pais em conjunto com os meus avós me deram, mais um salto no crescimento, a vida profissional. Esta foi aquela que mais me custou, sair da minha terra, deixar os meus amigos sem as nossas caçadas, deixou em mim uma tristeza inconsolável, mas tinha de ser, tal como os meus pais, eu saí da Aldeia e fui procurar uma vida melhor. O adeus às minhas origens foi custoso, mas necessário, com a promessa, porém que um dia iria voltar e ter um cantinho, não só meu, mas um cantinho onde os amigos do “Já Disse” e do “Boby” fossem felizes. O regresso aconteceu, momento de alegria e ao mesmo tempo nostálgico. Foram mais de 20 anos longe da minha terrinha, a profissão proporcionou-me um aproximar das minhas origens e fez de mim uma pessoa mais feliz. Ninguém imagina a alegria de voltar assiduamente à minha terrinha, cheiros e ambientes que jamais encontrei noutros sítios, foi nessa altura que disse para mim, - “Já Disse”, “Boby”, vamos à caça?, e nessa altura o vento que se esbatia no rosto acalmou em jeito de caricia.
É tão bom recordar…
Neste tempo longe da terra, tudo mudou, a aldeia cresceu, pouco mas cresceu, também ficou mais vazia, mas a natureza que até foi mudando, ainda tinha o cheiro do antigamente e o vento soprava da mesma forma. Já não havia o pau das caçadas nem os fiéis companheiros, mas a paixão pela caça e pelos amigos podengos, essa nunca foi embora e permaneceu sempre dentro de mim, até porque disse ao “Já Disse” e ao “Boby” que um dia voltaríamos a caçar e assim foi. Nesta altura aceitei o desafio de outros amigos e tornei-me caçador, agora com uma arma de verdade, era altura de novas caçadas e novos companheiros. Encostei o pau e os cordéis, agarrei na minha arma e arranjei novos companheiros de caça, a alegria estava de volta e com ela uma nova paixão, a preservação do meio ambiente em caça. Se eu estava contente e eufórico, já António, Amigo de longa data, estava triste por não ter conseguido a carta de caçador. De rosto abatido e semblante triste, António, um amigo de A bem grande, no alto da sua humildade chegou perto de mim e disse:
- Toma é para ti! Os meus olhos brilharam e as lágrimas quase saltaram, ao colo do António vinha uma linda podenga, cerdosa e de nome “Paloma”. A “Paloma” era uma cadela jovem, contava dois anos de vida, ao primeiro contato a química existiu e a “Paloma” dava pulos de contente junto de nós. Grandes e tantas caçadas fizemos os dois, tantos momentos juntos que é impossível descrevê-los todos, foram anos magníficos que passámos juntos. Tal como antigamente, nas aldeias os animais andavam à sorte pelas ruas da aldeia, mas eu não queria isso para a “Paloma”, queria que ela tivesse o seu cantinho, onde água e comida não faltasse e um colchão de palha a fizesse descansar tão bem como eu. Foi nessa altura que com a chegada de mais um ou dois companheiros para a “Paloma”, decidi construir um pequeno canil, para que todos tivessem um pequeno cantinho só deles. Ainda sei o nome de todos, mas houve um que ainda hoje o seu nome e sangue corre pelas ruas da aldeia e quiçá por esse Portugal longínquo, “Salazar” de seu nome, um podengo de porte atlético, meigo, afável e um caçador exímio, tal como a “Paloma”, também o “Salazar” deixou marcas em mim. Com tanta paixão partilhada com os amigos, eis que de um ápice surge a maior das surpresas, a minha magnifica esposa e supermãe, também ela apaixonada pelos animais e pelo mundo cinegético, decide entrar para este meio. Lembro-me como se fosse hoje, quando ela chegou junto de mim e disse:
-Zé Manel, vou tirar a carta de caçador! Tal não foi a surpresa que desatei ás gargalhadas e assim estive durante algum tempo. As gargalhadas pararam e depois de olhar para a expressão dela, parei e disse,
-Estás a falar a sério?! A resposta foi pronta e sem rodeios, - Sim! Não sei qual é a piada. Respirei fundo e perguntei a mim mesmo, de onde vem essa vontade? Sem tradições familiares no mundo da cinegético. Passado algum tempo, lá ia ela fazer o seu exame para a carta de caçador. Ainda me lembro desse momento o nervosismo que se apoderou de mim durante o tempo do exame. Depois de tanto esperar, lá veio ela de sorriso no rosto e de carta de caçador na mão, era o início de uma aventura a dois, companheiros em todas jornadas cinegéticas que já dura há 22 anos. Num mundo onde em tempos só os homens apareciam, surgiam as primeiras senhoras caçadoras e eu tive o privilégio de ter a minha esposa como uma das primeiras. A paixão foi crescendo em ambos e nos dias de hoje, digo, orgulhosamente que ela é uma eximia caçadora de pontaria sempre afinada, é raro o tiro falhado. Tal como a paixão foi crescendo, também os nossos amigos patudos foram aumentando no cantinho deles, sempre com as melhores condições para todos eles. A chegada de mais patudos, implica estar sempre mais e mais preocupado com eles, pois quem gosta deles como eu, não gosta que nada de mau lhe aconteça. Mas nem só de coisas boas recordo os momentos vividos com os meus amigos patudos podengos, recordo com enorme mágoa um triste episódio que tive com eles. Num curto espaço de tempo perdi seis amiguinhos, dois deles a idade falou mais alto e os outros por acidentes, momento devastador, marcas que jamais esquecerei. Foram momentos em que a criança que existe em mim chorou de forma continua e não conseguia parar, vi partir os meus patudinhos e nesse momento pensei em desistir da minha paixão. Mas como em tudo na vida, às vezes precisamos de levantar a cabeça e seguir em frente e não deixar a sonho cair por terra. Foi nessa altura, impulsionado pela da minha esposa, companheira de há mais de trinta anos, que disse que iriamos voltar a ter mais amigos podengos junto de nós. Conhecedora da minha forma de estar na vida como ninguém, encorajou-me a seguir em frente e voltar a ter um cantinho dos podengos. A paixão não morreu, esmoreceu fruto daquele triste episódio que me marcou e continua a marcar até hoje. Abracei o desafio, deitámos mãos à obra e demos início a um projeto de construção de um novo cantinho dos podengos, estava a crescer o Canil da Família Ramires, o sonho estava a tornar-se realidade. Plagiando Fernando Pessoa, Deus quer, o homem sonha e a obra nasce. Assim foi, a obra está feita e o sonho está realizado, estamos felizes. O canil da Família Ramires é uma realidade, é um cantinho onde os patudos se vão sentir confortáveis, com espaço e com condições únicos. Neste sonho tornado realidade todos vão ser felizes, eles e nós, porque só assim faz sentido. Nesta longa caminhada, não estive sozinho e seria injusto assim o dizer. Por perto tive sempre a minha esposa, a minha filhota e claro, os meus amigos que em conjunto ajudaram a concretizar este meu sonho, a todos vós o meu muito obrigado, graças a vós sou ainda mais feliz. A todos vós, partilhei a minha curta história da paixão que nutro para com os meus amigos Podengos, raça ícone da minha paixão que o diga o “Já disse” e o “Boby”. Se sentir paixão por podengos é coisa de doidos, então podereis chamar-me de louco.

Hoje o CANIL RUPESTRE também está presente por terras do Ribatejo.
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Depois da limpeza do Canil Rupestre está na hora do reforço 💪🐾
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